ENTRE A SAÚDE CONCRETA E A SAÚDE ABSTRATA

O texto discute a necessidade de reposicionar a teoria marxista no campo da saúde, diferenciando entre um “Marx exotérico” (público, mais conhecido), vinculado à modernização capitalista, e um “Marx esotérico” (menos conhecido), cuja crítica ultrapassa os limites da civilização capitalista. Argumenta que, no modo de produção capitalista, a saúde torna-se mercadoria e adquire um duplo caráter: saúde concreta (dimensão humana e biológica) e saúde abstrata (saúde funcional ao valor e à produtividade do trabalho). A crítica a Dejours evidencia que, embora seu conceito de saúde envolva autonomia e bem-estar, ele mantém uma ontologia do trabalho que não problematiza sua forma capitalista. Assim, a realização plena da saúde é inviabilizada pela lógica do valor, da mercantilização e da organização do trabalho, que submete o corpo ao tempo abstrato e à extração de mais-valor. Conclui que uma política de saúde realmente emancipatória só pode existir para além da forma mercadoria.