Resumo: ‘Na presente fala, temos por intuito investigar a conexão entre dois campos do saber, o do sagrado e o da guerra, condensados conceitualmente no imaginário de guerra sagrada no discurso político da extrema direita sul-americana atual. Para tanto, em um primeiro momento, discutiremos a relação entre memória e ordem. Em um segundo, investigaremos a relação entre mito e poder. Por fim, em um terceiro, analisaremos o funcionamento da condensação discursiva entre ordem, memória, mito e poder em quatro enunciados produzidos por lideranças políticas sul-americanas desde 2024. Como conclusão, sustentamos que o uso recorrente da preposição ‘por’ e da locução prepositiva ’em nome de’ tem por objetivo indicar a autoridade da fonte enunciativa, o sagrado, em relação à ação instrumental, a violência, de modo a transferir a responsabilidade discursiva da apologia da violência via esquema da guerra para os símbolos míticos, os quais funcionam como os garantidores ou fiadores morais desta última’.
Palavras-chave: Guerra. Extrema direita sul-americana. Violência sacrificial. Poder mítico.