Este artigo desenvolve argumentos acerca da relação entre a queda do governo afegão aliado aos EUA, o sistema tribal afegão, a guerrilha talibã e a fragilidade do programa nacional aplicado à periferia global. A tentativa de projetar no Estado afegão a imagem dos Estados nacionais ocidentais, com uma instituição centralizada de poder, não correspondeu com a base autônoma de governança local, as quais possuem recursos financeiros e militares próprios. A distribuição de uma população majoritariamente rural em distintos territórios geográficos se desenvolveu sob a fragmentação política, a partir de um sistema tribal, onde algumas autoridades políticas despontam no cenário político nacional – uma forma de organização política adaptada à topografia e flexível no que se refere às mudanças no ambiente cultural. A resistência Talibã se configurou como uma forma de poder alternativo ao governo afegão e se deu graças a uma organização centralizada e hierarquizada, a um poder militarizado, ao apoio internacional extraoficial, às fontes de financiamento e à implantação de formas governamentais em territórios sob domínio da guerrilha.
A TRIBO, O ESTADO E A GUERRILHA NO AFEGANISTÃO