NATUREZA E ARTIFICIALIDADE NO PROJETO SOCIALISTA DE NAÇÃO DE JOSÉ CARLOS MARIÁTEGUI

A obra do marxista peruano José Carlos Mariátegui persegue um objetivo central: criar as condições práticas, políticas, teóricas e sociais para uma sociedade peruana socialista livre da opressão e da exploração. Esse artigo analisa como Mariátegui recorre ao binômio naturalidade-artificialidade para revelar, por um lado, a função parasitária da classe dominante e, por outro, os pontos que unem os hábitos coletivistas pré-capitalistas das comunidades indígenas e a teoria socialista moderna. Para isso, o marxista andino opera uma releitura crítica da história peruana, opondo a conquista espanhola e o período colonial ao Império Inca, como figuras respectivamente da artificialidade e da naturalidade. Esta chave heurística abre possibilidades críticas para um estudo tanto da inserção do Peru no capitalismo quanto da natureza predatória do modelo social e econômico do período republicano. Finalmente, discute-se a interpretação historicista e dialética da modernidade desenvolvida por Mariátegui, apresentando sua ideia de um “Peru integral” como nação socialista não essencialista, na qual elementos pré-modernos e modernos se juntam em prol de um projeto revolucionário. A natureza e o artifício aparecem em Mariátegui como duas figuras centrais na formação social peruana e, portanto, como uma das faces da luta de classes.

A GUERRA NO “LONGO SÉCULO XIX”: TEORIAS DA GUERRA E ANÁLISE HISTÓRICA

Em 1789, explode a Revolução Francesa como resultado das contradições próprias do Antigo Regime francês. Em dez longos e violentos anos, o processo revolucionário porá abaixo o edifício do absolutismo monárquico francês e criará condições propícias ao desenvolvimento sem peias do capitalismo. Vivenciada como uma vitória dos princípios da Ilustração e da Modernidade a Revolução extravasou as fronteiras da história francesa e tornou-se um evento de caráter europeu e mundial. A Queda da Bastilha e a execução de Luís XVI tornaram-se senhas para os interessados em substituir a Velha Ordem, substituindo absolutismos por monarquias constitucionais ou repúblicas. De qualquer modo, emerge o novo soberano, o povo. Princípios de fundo iluminista guiarão a entrada dos europeus na Modernidade (quer no sentido weberiano como marxista). Nesta perspectiva, a Revolução é o marco de uma nova era histórica.

DIMENSÕES DA EDUCAÇÃO E DO MARXISMO NA RÚSSIA: REVOLUÇÃO E CONTRARREVOLUÇÃO NA ESCOLA

O tema do presente trabalho é o percurso da educação na Rússia da época do czarismo ao período de Stálin. Discute-se a educação no czarismo; a práxis educacional socialista; e as mudanças educacionais no período de Stálin. As fontes estão compostas pelos dados publicados acerca da educação na Rússia, os escritos dos revolucionários como N. Krupskaya, V. Lênin, A. Lunatcharsky, M. Pistrak, V. Shulgin e L. Trótski, bem como os materiais publicados na União Soviética e divulgados em língua portuguesa e espanhola relativos à questão educacional.