O marxismo de Julia Arévalo


Operária, editora, sindicalista e parlamentar internacionalista sempre próxima às organizações de base, foi fundadora do Partido Comunista del Uruguai, senadora e a primeira deputada comunista da América, atuando sobretudo contra a exploração de classe que oprime a mulher trabalhadora


Por Malena Montano Roche e Magdalena Bessonart *

[Tradução de Yuri Martins-Fontes]

ARÉVALO Suárez, Julia Deanora (uruguaia; Paraje Barriga Negra, Lavalleja, 1898 – Montevidéu, 1985)

1 – Vida e práxis política

Julia Arévalo nasceu no seio de uma família de pequenos criadores de gado que, havendo perdido suas terras por causa de dívidas, mudou-se para Montevidéu. Seus pais foram Roberto Arévalo – que na cidade foi operário na companhia de bondes La Comercial – e Adela Suárez, costureira.

Com somente dez anos de idade, Julia começou a trabalhar em uma fábrica de fósforos, de modo que sua formação escolar foi limitada. Cursou o ensino fundamental em uma escola rural de Lavalleja e, já em Montevidéu, na Escuela Nº 51. A precariedade de sua educação não a impediu de se tornar jornalista e líder sindical e política de primeiro nível.

Aos quinze anos, filiou-se ao Partido Socialista del Uruguai (PSU). Dois anos depois, em 1915, já atuava como oradora na primeira greve da indústria do tabaco, protagonizada pelas operárias da fábrica La Giribaldina. Naquele mesmo ano, a morte de seu pai marcou profundamente a jovem militante – fato que coincidiu com seu início na vida sindical. A partir de então, colaborou com artigos no El Socialista, no jornal anarquista El Trabajo e no jornal operário La Batalla.

Em agosto de 1918, participou da chamada Huelga General Sangrienta [Greve Geral Sangrenta] e, ao lado da líder feminista Paulina Luisi, da greve das Pantaloneras e Chalequeras. Em 1919, casou-se com Carlos Roche, com quem teve seis filhos (Selva, Rima, Dardo, Alma, Leonel e Liberto) e onze netos. A vida familiar transcorreu entrelaçada com os altos e baixos de um ativismo que impunha mudanças e riscos, de modo que seus filhos e filhas cresceram se mudando sucessivamente de cidade (Montevidéu, Minas, Paysandú e Rio Negro) – e muitas vezes seu espaço doméstico serviu como sede de organização sindical e política, cujas reuniões eram também oportunidades para tricotar roupas para os netos.1

Em 1920, no congresso em que o Partido Socialista adotou os vinte e um pontos da Internacional Comunista, ela foi uma das fundadoras do Partido Comunista del Uruguai (PCU), como delegada do centro feminino “Rosa Luxemburgo”. Durante esta década, Julia Arévalo residiu no interior do país, onde expandiu sua militância: entre 1922 e 1926, sua casa em Minas foi a sede do Sindicato dos Canteiros (cortadores de pedras); em 1928 foi nomeada secretária regional do PCU para Paysandú e Rio Negro.

Os anos 1930 foram de intensa agitação e risco pessoal. Em 1931, participou da primeira greve camponesa na colônia 19 de Abril, perto de Paysandú, e da greve dos trabalhadores gráficos desta mesma cidade – sendo processada por “mendicância pública” por solicitar alimentos para a cozinha comunitária dos grevistas. Em 1932, participou dos atos da greve do Frigorífico Anglo. Em 1933, ficou ferida e foi detida por vários dias durante o “Massacre de San Javier”, reprimido com violência pelas forças do Estado. No ano seguinte, organizou a resistência aos despejos nos bairros Artigas e Nueva York, em Paysandú. E em 1935, passou à clandestinidade depois de apoiar a insurreição de Basilio Muñoz contra a ditadura de Gabriel Terra.2

Entre 1936 e 1939, integrou a direção do Comité de Ayuda al Pueblo Español e liderou o Movimiento de Ayuda a Niños y Mujeres de España, atividades que lhe renderam o apelido de “La Pasionaria Uruguaya”. Em 1939, ingressou no Comitê Executivo do PCU, havendo coordenado, durante a II Guerra Mundial, o movimento Mujeres Solidarias con los Aliados (1939-1945). Em 1942, foi candidata à vice-presidência da República na chapa com Eugenio Gómez. No ano seguinte, foi eleita deputada por Montevidéu (pela chapa denominada Por la Unidad Nacional Antifascista), tornando-se uma das duas primeiras mulheres deputadas do Uruguai – e a primeira deputada comunista da América. Neste período, fundou e dirigiu a revista mensal Nosotras (1945-1953).

Em 1945, viajou para Paris como delegada da Unión Femenina del Uruguay (UFU) para a fundação da Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM) – da qual chegou a ser Conselheira Mundial. No ano seguinte, apoiou a promulgação da Lei dos Direitos Civis da Mulher (1946). Já em 1947, ao ingressar no Senado, tornou-se a primeira senadora comunista da América Latina. Durante seu mandato no Senado (1947-1951), apresentou e fundamentou projetos de lei sobre seguro-maternidade, igualdade salarial para trabalhos iguais, proteção das trabalhadoras em indústrias insalubres, habitação popular e abono de família. A maioria não foi aprovada, mas foi retomada em legislaturas posteriores por pressão dos sindicatos e da UFU.3

Em 1949, participou, como delegada do Movimiento para la Paz no Congresso Constituinte do Comitê Mundial dos Partidários pela Paz. Ao término de seu mandato, em 1951, continuou na direção partidária como secretária-geral da Seccional 18-24 do PCU em Montevidéu; participou do Congresso Mundial dos Povos pela Paz em Viena, em 1952; e, em 1955, da fundação da União da Juventude Comunista como membro da Diretoria Executiva do PCU. Em 1958, integrou simultaneamente a Comissão de Controle, o Comitê Central e o Comitê Executivo do PCU.

Entre 1959 e 1967, ocupou o cargo de vereadora na Junta Departamental de Montevidéu, primeiro pelo PCU (1959-1963) e depois (1963-1967) pela Frente Izquierda de Liberación (FIDEL), cargo que recordava como sendo o que mais gostou. Em 1962, fundou e presidiu o Comité Nacional Femenino da FIDEL. Em 1963, participou do V Congresso da Federação Democrática Internacional das Mulheres, no Kremlin, em Moscou. Em 1965, foi oradora na marcha Cola de las Canastas Vacías [Fila das Cestas Vazias], contra a escassez. Em 1967, representou o PCU nas comemorações do quinquagésimo aniversário da Revolução Russa, na capital russa.

Em 1968, publicou a crônica de uma de suas viagens ao bloco socialista: La mujer en la R.D.A.: construye el socialismo. Neste mesmo ano, participou do Movimiento por las Libertades y la Soberanía, promovido pela Convención Nacional de Trabajadores com apoio multipartidário4.

Em 1970, foi oradora na cerimônia do quinquagésimo aniversário do PCU, ao lado de Rodney Arismendi e Enrique Rodríguez; e o PCUS prestou-lhe uma homenagem em Moscou por meio século de militância. Também neste ano, o PCU lançou sua biografia, escrita por Alfredo Gravina: Aos dez anos, proletária.

No ano seguinte, Arévalo integrou o núcleo fundador da coalizão Frente Amplio. Em 1973 foi nomeada secretária vitalícia da Federação Internacional das Mulheres. Neste ano, houve um golpe de Estado cívico-militar no Uruguai, situação que a levou a se envolver com vários atos da resistência e a se exilar em Buenos Aires. Porém, após um curto período, conseguiu regressar a seu país – ainda durante os momentos mais difíceis da repressão.

Julia Arévalo faleceu em 18 de agosto de 1985, em Montevidéu, aos 87 anos. O Comitê Central do PCU a definiu, na ocasião de sua morte, como uma militante que “dedicou paixão e inteligência à defesa dos princípios do marxismo-leninismo e do internacionalismo proletário”.

2 – Contribuições para o marxismo

O marxismo de Julia Arévalo não se manifesta principalmente em um corpo teórico sistemático, mas em uma prática política e sindical sustentada ao longo de décadas – de forma que é em seus artigos na imprensa partidária, em seus projetos de lei, argumentações e discursos no Parlamento que se pode rastrear seu pensamento. Isto torna mais complexo avaliar suas contribuições teóricas, se as comparamos, por exemplo, com as de seu companheiro e codirigente do Partido Comunista, Rodney Arismendi – o que explica por que a produção bibliográfica sobre a marxista tenha se concentrado no aspecto biográfico. Também não é de se menosprezar que, sendo ela uma mulher de origem operária que chegou ao topo do cenário parlamentar, parte destes estudos se concentrem nesta dupla condição, bem como na coerência de sua existência – vivida com a humildade do povo do qual era parte.5

Tais aspectos descrevem quem foi Julia Arévalo, mas podem também levar a subestimarmos o lugar que a reflexão teórica ocupava em sua atuação. Arévalo, como era comum em sua geração, valorizava a prática política combinada com a formação ideológica e cultural – tanto para si mesma como para seus companheiros de militância. Tendo chegado a ser senadora e deputada, entretanto, o cargo que mais apreciava era o de vereadora, devido ao contato constante com a população, a quem incentivava a se envolver nos espaços participativos; fazer visitas a bairros populares era uma de suas atividades preferidas.

Essa ênfase na formação ideológica se traduzia em exigências concretas quanto ao comportamento do militante. Em seu relatório como secretária da Comissão de Controle ante o XVII Congresso do PCU (1958), ela invocou a fórmula leninista segundo a qual o militante comunista deveria ser “a inteligência, a honra e a consciência de nossa época”; e propôs “elevar a qualidade do trabalho e da conduta do militante comunista” por meio do estudo, a fim de superar “incompreensões teóricas”. Doze anos depois, no XX Congresso (1970), ela novamente pôs em destaque a “educação revolucionária” como condição para a disciplina partidária.

Segundo Arévalo, os novos filiados traziam “resquícios individualistas, incompreensões e dificuldades de assimilar a disciplina e a moral revolucionária, em razão do ambiente social de onde provêm”. Entendia que a formação ideológica era um processo contínuo, não um ponto de partida – já que o partido não era uma comunidade de pessoas já convencidas, mas uma escola de militantes em constante transformação. Esta exigência era também uma prática pessoal: aos 72 anos, ao preparar homenagem ao centenário de Lênin, ela voltou a estudar as obras do líder soviético – discutindo-as com seus camaradas.

É importante destacar que a predileção de Julia Arévalo pelo contato humano cotidiano – que incluía distribuir o jornal do partido, Justicia, em regiões rurais e urbanas do Uruguai – costuma ser ressaltada acima de seu papel como militante da imprensa partidária, o que abarca, além da produção de textos, a direção da revista Nosotras, voltada a mulheres comunistas (1945-1952), e a publicação das crônicas de duas de suas viagens pelo bloco socialista6.

Seu percurso ideológico ilustra o processo de formação do marxismo organizado no seio do movimento operário uruguaio – ainda muito jovem, Arévalo protagonizou a primeira greve do sindicato dos tabagistas, o que resultou em sua demissão. Segundo o jornalista e comunista Alfredo Gravina, ela entendia que a fraqueza da organização operária se devia ao predomínio, na Federación Obrera Regional Uruguaya, de uma “concepção voluntarista e pequeno-burguesa da luta de classes”, própria do anarquismo, em contraposição à doutrina marxista – ainda “bem pouco conhecida” no país.7 Sua transição do Partido Socialista para o Partido Comunista, no congresso de adesão à Internacional Comunista de 1920, insere-se nessa disputa entre as correntes anarquistas e a organização de um partido de classe – marxista-leninista – após a Revolução de Outubro.

Em sintonia com a visão hegemônica de seu partido, mas com ênfase nos problemas cotidianos, para Arévalo a luta de classes e a das mulheres trabalhadoras não são duas frentes separadas, mas uma mesma contradição vista sob diferentes perspectivas: a opressão da mulher proletária é, antes de tudo, consequência da organização capitalista de produção e, apenas em um segundo momento, um problema de “preconceitos” ou atraso cultural. É isto que ela defende ao fundamentar seu projeto de auxílio-maternidade (1947), no qual afirma que a necessidade de proteção econômica para a mulher grávida que trabalha “é uma consequência da imperfeição do regime econômico vigente, cujos fatores influenciam decisivamente sua perda de renda decorrente da interrupção do trabalho. Ou seja, a responsabilidade não é da natureza – da maternidade –, mas de um sistema produtivo que não prevê o sustento daquelas que reproduzem a força de trabalho.

Essa interpretação classista leva Arévalo a rejeitar os argumentos do Poder Executivo e dos setores patronais para justificar salários femininos inferiores. Ao fundamentar seu projeto “Salário igual para trabalho igual” (de 1947), ela denuncia o uso de uma argumentação falsa de que haveria “uma suposta inferioridade das mulheres e dos jovens no que diz respeito a sua capacidade produtiva”; aponta que o próprio Poder Executivo “invoca esta falsa teoria especulativa dos capitalistas ambiciosos” para se afastar do princípio da igualdade salarial. Diante desta retórica, ela responde com estatísticas sobre a participação feminina nas indústrias têxtil, frigorífica, de doces e de tabaco: a desigualdade não decorre de diferenças de rendimento, mas da conveniência patronal de baratear a força de trabalho.

Nota-se que o método da marxista está no gesto de opor dados concretos às justificativas ideológicas do capital; ela não elabora uma teoria da opressão de gênero, mas denuncia tal exploração como forma de extração de mais-valia do trabalho feminino. Tal método empírico, apoiado em denúncias documentadas, aparece em sua análise das condições de trabalho nas indústrias insalubres.

Em sua intervenção de junho de 1948, Julia Arévalo analisa, sindicato por sindicato, as porcentagens de mulheres empregadas, as diferenças salariais e os riscos à saúde (plumbismo, intoxicações, tuberculose). A mesma lógica se aplica quando ela denuncia, em agosto de 1948, as violências cometidas por empresas têxteis estrangeiras (Sudamtex e Lanasur) contra suas trabalhadoras – coações, confinamentos, punições como “a tortura da vassoura” (obrigar as operárias a varrer o dia todo sem parar) –, o que ela descreve como “abusos contra a moral das mulheres”, associando isto ao caráter estrangeiro (sobretudo estadunidense) destes capitais.

Essa mesma tática de denúncia concreta se estende ao problema da moradia popular, o qual Arévalo associa à especulação financeira – para além da escassez de recursos. Em uma intervenção de abril de 1948, ela aponta que o “mercado negro dos aluguéis” é conduzido “pelos próprios bancos encarregados de alugar os imóveis” – identificando no sistema financeiro outra frente de exploração das famílias trabalhadoras. Cita um estudo dos arquitetos Cazzano e Poggi Etchebarne que mostra como cerca de 120 mil famílias foram afetadas por más condições de moradia.

A crítica da marxista uruguaia à exploração não se limita à relação capital-trabalho dentro da fábrica, mas se estende às relações econômicas entre países. Em sua intervenção de junho de 1949, ele denuncia os “desastrosos tratados comerciais” assinados pelo Ministério das Relações Exteriores, em particular um acordo com o Japão, apontando que o Uruguai exporta “matéria-prima” para depois “retribuir ao país produtos manufaturados”, em detrimento da indústria nacional. Assim, ela relaciona o fechamento de fábricas e o desemprego no setor têxtil com a posição subordinada uruguaia no comércio internacional.

A análise de classe se estende também ao mundo rural. Durante seus anos como secretária regional do PCU em Paysandú (1928-1935), Arévalo articulou a luta dos camponeses e colonos contra o Banco Hipotecário e o latifúndio como expressão de uma contradição de classe semelhante à que operava na fábrica: o banco que apreendia colheitas, o latifúndio que concentrava a terra, e a violência policial que defendia essa ordem eram formas de exploração capitalista no campo. Essa interpretação se estende ao seu programa da década de 1940: na revista Nosotras (n. 3, 1945), ela propõe “um Conselho de Economia que elimine o latifúndio, barateie o consumo e crie indústria”. No ano seguinte, afirma que o latifúndio e o sistema financeiro são os responsáveis pela “estagnação” do processo democrático uruguaio.

Para Julia Arévalo, o Estado tem uma responsabilidade incontornável na reprodução social da classe trabalhadora: a maternidade, a saúde infantil, a moradia popular e a educação não são questões de beneficência, mas – em seus termos – “um dever social ineludível”. Daí que boa parte de suas propostas (o seguro-maternidade, a aposentadoria antecipada em indústrias insalubres, as moradias populares, a Comissão Honorária de Proteção ao Trabalho Feminino e a Jornada Mundial de Ajuda à Infância) constituam um único programa: estender às mulheres e à infância a proteção estatal que o capital lhes nega, em constante articulação com a organização sindical e com entidades de massa, como a Unión Femenina del Uruguay – reconhecida como sujeito ativo destes projetos e não como mera beneficiária.

A concepção de Arévalo sobre a emancipação da mulher trabalhadora não se limita à aprovação de leis protetoras, mas inclui a exigência da participação direta das mulheres nos órgãos que definem as condições de seu próprio trabalho. Em agosto de 1947, ela reivindica a “participação feminina em órgãos vitais para a vida econômica e social”, como os Conselhos de Salários e as Caixas de Abono de Família, pois “as necessidades e os sentimentos das mulheres” seriam mais bem atendidos com a representação das próprias trabalhadoras. Esta ideia é coerente com a posição que ela, em todo seu trabalho legislativo, atribui à UFU, isto é, não se trata de legislar para as mulheres trabalhadoras, mas de que elas mesmas intervenham na definição de seus próprios direitos8.

Em sua prática legislativa percebe-se uma concepção particular da relação entre a luta parlamentar e a organização das massas. Vários projetos, como o da aposentadoria antecipada em indústrias insalubres, são apresentados repetidamente sem serem aprovados; a cada nova tentativa fica explícito que sua insistência responde à pressão dos sindicatos e da Unión Femenina em favor destas causas. Em julho de 1947, ela assinala que “existe uma grande mobilização das mulheres empregadas na indústria e no comércio” e, em junho de 1949, insiste no tema, ressaltando que tais reivindicações são sustentadas por meio de “campanhas permanentes” organizadas “por todos os sindicatos operários”. Assim, ela faz com que a bancada parlamentar funcione como caixa de ressonância de uma mobilização que antecede e ultrapassa o Parlamento. A lei é concebida como a cristalização de uma relação de forças construída nas ruas e nos sindicatos, e não como uma concessão que descesse do Parlamento para as bases.

Tal ideia permeia também sua maneira de compreender a militância em relação à vida doméstica, âmbito no qual ela refuta o preconceito anticomunista – segundo o qual a militância dissolveria laços familiares. Diante desta acusação, ela responde: “esses detalhes são o essencial na mulher, e eu, como boa comunista que sou, amo meus filhos e meu companheiro tanto quanto amo meu Partido”, entendendo que “no comunismo busca-se a unificação da família”. Portanto, a militância não se opõe à esfera doméstica, mas sim a integra – valendo reforçar que seu próprio lar funcionou como base de organização (diversos sindicatos se reuniam em sua casa). Tal integração se expressa também em sua relação com a disciplina partidária, como ela mesma reconhece: “tenho um medo terrível quando me encarregam de uma tarefa, mas se o Partido pede, tenho que fazê-la”.

Ademais, o marxismo de Julia Arévalo é também internacionalista e anti-imperialista. Certa feita, ela denuncia a perseguição da polícia argentina a exilados paraguaios e a uma estudante uruguaia (1950) – violações do direito de asilo –, relacionando os gastos militares do pós-guerra com o défice de recursos sociais. Em seu discurso sobre a Jornada Mundial de Ajuda à Infância (1950), ela destaca que: enquanto “faltam recursos para a escola, para a alimentação e para os hospitais, o Poder Executivo implementa uma política de gastos de guerra”; assim, são destinados “milhões de pesos para a compra de armas, milhões de pesos para a compra de bombardeiros, milhões de pesos para missões militares”.

Este discurso revela sua inserção na política internacional do movimento comunista da Guerra Fria. Certa vez, quando questionada pelo senador Ledo Arroyo Torres sobre seu silêncio em relação à União Soviética, Arévalo não respondeu, mas a polêmica expôs seu marxismo partidário, alinhado com a linha internacional do PCU. Tal caracterização coincide com a que o Comitê Central do PCU fez dela ao falecer, em 1985 – destacando sua incessante defesa da União Soviética como um traço que a distinguiu.

O pensamento de Arévalo se assenta em vários eixos temáticos: a exploração de classe como raiz da opressão da mulher trabalhadora; a questão rural, em que o latifúndio e a dívida bancária reproduzem a exploração capitalista sobre o produtor agrícola; a análise política das relações econômicas desiguais entre nações, problema que vai da fábrica ao comércio internacional; a responsabilidade fundamental do Estado pela reprodução da vida dos trabalhadores, juntamente com a exigência de que as trabalhadoras participem das decisões políticas; a concepção de lei como cristalização da mobilização sindical, e não como concessão alheia; e seu internacionalismo antifascista e anti-imperialista alinhado com o movimento comunista internacional.

Todos esses aspectos da práxis política de Julia Arévalo se desenvolveram não como um sistema teórico, mas como um programa de ação parlamentar e sindical – em diálogo permanente com as organizações de massa das quais ele foi, ao mesmo tempo, líder e porta-voz9. Seu marxismo, portanto, se verifica menos nas obras que escreveu do que naquilo que legislou, denunciou e organizou.

3 – Comentário sobre a obra

Julia Arévalo não se dedicou a publicar uma obra teórica nem deixou um conjunto sistemático de escritos. O que escreveu teve antes de tudo a intenção de intervir politicamente: artigos e editoriais na imprensa partidária ao longo de mais de meio século; propostas políticas e exposições de motivos; discursos parlamentares; e crônicas de suas viagens pela Europa socialista. Trata-se de uma obra dispersa, quase toda publicada em periódicos, e por isso difícil de ser reunida.

Ela começou a escrever ainda muito jovem – no âmbito do movimento operário. Ainda como militante socialista, nos últimos anos da I Guerra Mundial, publicou no jornal El Socialista, de Montevidéu, um artigo que criticava os dirigentes socialistas europeus da II Internacional – arrastados pelo chauvinismo bélico. Embora a direção do jornal tenha publicado o artigo, na edição seguinte esclareceu que não compartilhava dos pontos de vista de sua colaboradora. O episódio ilustra sua posição política inicial: aos vinte anos, e em suas próprias palavras “sem grande formação teórica”, ela se alinhou ao internacionalismo contra a guerra, em um debate que dividia ao meio o socialismo mundial.

Dentre seus textos que foram preservados, o mais antigo é de 1921: o artigo “En la brecha”, escrito aos 23 anos – no qual saúda o triunfo da Revolução Russa. Foi publicado no jornal partidário Justicia (2 mai. 1921), quando Arévalo tinha 23 anos e despontava como uma das primeiras mulheres líderes operárias e fundadora do Partido Comunista –, texto em que convoca as trabalhadoras uruguaias à luta política e por emancipação. Redigido no calor do congresso de adesão do Partido Socialista à Internacional Comunista, o texto exorta os militantes a defender “a bandeira gloriosa que os estoicos companheiros russos fizeram ondular heroicamente”; e encerra invocando a conhecida frase de Marx: “Os trabalhadores nada têm a perder a não ser as suas correntes”. Trata-se de uma tomada de posição de classe de uma jovem trabalhadora da indústria do tabaco sobre o acontecimento que acabara de dividir o movimento operário. É também desta época o começo de sua colaboração com jornal partidário Justicia, que se espalhou pelos bairros operários e localidades do interior durante décadas.

Em fevereiro de 1945, surgiu em Montevidéu a revista Nosotras, das mulheres comunistas uruguaias, periódico que Julia Arévalo dirigiu e no qual publicou de forma constante. Os editoriais de sua autoria são assinados no rodapé com o fac-símile de sua assinatura; foram escritos na maior parte entre 1945 e 1947, os anos de sua mais intensa atuação parlamentar. No final de 1947, o editorial passa a ser anônimo – tornando-se a voz da revista, antes do que a de uma só autora –, de modo que os textos que ela assinaria a partir de então, até 1952, são artigos e crônicas.

As três primeiras edições da revista – além do editorial assinado pela diretora –, repetem duas seções fixas de conteúdo internacional: “La mujer en la ayuda” e “La mulher en la URSS” (com crônicas traduzidas sobre a frente soviética e a legislação familiar, entre elas a que trata do martírio da guerrilheira Zoya Kosmodemianskaia)10. É este formato – com um editorial escrito pela diretora, além de uma seção fixa sobre solidariedade internacional e temas como custo de vida, família e infância – que a revista manterá durante quase toda sua existência.

O editorial inaugural, “La mujer en la hora actual” (Nosotras, n. 1, fev. 1945), é o texto mais programático que Julia escreveu – no qual ela define uma posição que manterá por toda a década: a guerra antifascista abriu “a hora dos povos”, e nela a mulher incorporou-se, em igualdade com o homem, à produção, à linha de frente e à resistência, o que torna indiscutíveis seus direitos adquiridos na provação da guerra. Não se trata de um argumento de justiça abstrata, mas de mérito histórico e comprovado. Assim, ela conclui definindo a revista como uma tribuna das mulheres comunistas que aspira a ser a tribuna de todas as mulheres do país: partidária em sua essência e ampla em seu alcance.

No segundo editorial, “La mujer frente a la declaración de guerra” (Nosotras, n. 2, mar. 1945), escrito quando o Parlamento uruguaio aprovou a declaração de guerra ao Eixo, Arévalo interpreta o acontecimento como uma ratificação jurídica de uma guerra que o povo já vivia de fato, exigindo assim o rompimento das relações com a Espanha fascista de Franco e com o governo militar argentino, canais por meio de que o nazismo se mantinha na América Latina. O texto vincula esta exigência ao dia 8 de março e à Unión Nacional Femenina, movimento com o qual ela buscava reunir mulheres para além do comunismo – e do qual foi vice-presidente.

Já em “La unidad nacional reforzará la labor de nuestro Parlamento” (Nosotras, n. 3, abr. 1945), o programa econômico de Arévalo surge pela primeira vez com clareza: a reorganização da economia, sustenta ela, é a condição para tudo o mais, e suas duas vertentes são a reforma agrária e um Conselho de Economia que elimine o latifúndio, barateie o consumo e crie indústria. A originalidade da proposta está em seu mecanismo: comitês de unidade em cada bairro, em cada povoado, capazes de respaldar externamente a ação parlamentar.

Tal ideia foi sempre fundamental para Julia Arévalo: o Parlamento funcionando como caixa de ressonância de uma força organizada nas ruas. E é isto que ela, no ano seguinte, afirma sem rodeios. No artigo “Para defender la democracia: solución inmediata a los problemas económicos” (Nosotras, n. 12, 1946), dá um diagnóstico direto sobre seu país: “o processo histórico de nossa pátria está estagnado”, pois a revolução democrática ficou reduzida a conquistas políticas sem uma transformação econômica que as sustentasse.

Em “Contra el hambre y el frío: organicémonos” (Nosotras, n. 15, 1946), a marxista uruguaia aborda o tema mais cotidiano de toda a sua obra: as filas de madrugada para conseguir leite, as da tarde para conseguir carne, a lama, o frio e o aumento do preço da condução. A solução para estes problemas domésticos, defende ela, está na reforma agrária e na organização comunitária. O procedimento argumentativo de Arévalo é característico: a escassez não é denunciada como um problema de administração, mas como o ponto em que os problemas da estrutura econômica do país ganham concretude, por exemplo, em uma cozinha.

Esse tipo de argumentação era também a lógica editorial da revista Nosotras: em um mesmo número podiam coexistir um artigo de Julia com propostas de legislação ou de organização comunitária, uma coluna sobre o preço da carne, uma análise sobre os latifúndios e reforma agrária e um livro de receitas de pratos econômicos sem carne para suportar a semana. A cadeia que ligava o problema doméstico à política econômica, passando pela ação organizada, não se construía em um único artigo, mas sim na edição como um todo. Assim, o periódico funcionava como um dispositivo didático no qual cada seção reforçava as demais – sua unidade de sentido era a leitura completa, não a matéria isolada.

“Respondemos al Plan Truman: paz y trabajo” (Nosotras, n. 23, jun. 1947) é o ensaio anti-imperialista mais elaborado de Julia Arévalo. Nele, contrapondo-se à campanha que apresentava os comunistas e os sindicatos como culpados pela crise do pós-guerra, Arévalo responde com números sobre a exploração sofrida por seu povo; denuncia os bilhões de dólares que os consórcios lucraram durante a guerra; expõe as sociedades anônimas e as grandes fábricas que obtiveram lucros “superiores a 500%” enquanto a população passava necessidades. De acordo com sua descrição, o Plano Truman se trata de uma militarização do continente – que paralisa as indústrias têxtil e metalúrgica –, e se a imprensa corporativa o defende é porque é parte interessada no negócio. “Querem continuar oprimindo os povos, querem continuar roubando da mesma forma”, acusa a autora.

“Fe en el programa de gobierno: esperanza que se cumpla” (Nosotras, n. 25, set. 1947) mostra uma outra face da posição política de Arévalo: a do apoio condicionado. No artigo, ela comenta um discurso do presidente Batlle Berres (15 ago. 1947), manifesta apoio a seus programas de distribuição de terras e de desenvolvimento industrial – mas exige dele coerência na política externa11.

Em 1951 ela publica “Lostorto, donde la ley no cuenta” (Nosotras, n. 65) – a única de suas crônicas sobre a realidade das fábricas que foi preservada. Visitando uma fábrica têxtil, ela conversa com as operárias e escreve o que ouve: os baixos salários, especialmente para mulheres (inclusive com descumprimento do valor acordado); o desrespeito ao horário de trabalho; as demissões e suspensões arbitrárias. Note-se que o texto não argumenta desde uma posição externa, como no caso dos editoriais, mas a partir do testemunho vivo das trabalhadoras. Arévalo conclui com uma frase que resume seu modo de se relacionar de igual para igual com as trabalhadoras: “Saudações, operárias de Lostorto”. No período, já sem mandato parlamentar, Julia continuava indo até a porta das fábricas.

“En el marco de ardientes combates festejamos nuestro 7º aniversario” (Nosotras, n. 71, fev. 1952) faz o balanço de um ano de suas campanhas políticas, uma espécie de resumo do programa que ela defendia desde 1945: as cerca de 300 mil assinaturas pela paz; os apagões elétricos simultâneos com que se protestava contra as tarifas da empresa estatal de energia; a difusão do lema “Não ao envio de uruguaios para a Guerra da Coreia!”; as reivindicações pelo seguro-desemprego e pela aposentadoria com 25 anos de trabalho.

Quanto aos livros de Julia Arévalo, todos eles nasceram de viagens. Em outubro de 1945, ela recebeu um telegrama de Dolores Ibárruri convidando-a para um congresso em Paris, no qual seria fundada a Federação Democrática Internacional das Mulheres. Desta primeira viagem surgiu seu primeiro livro. No ano seguinte, a revista anunciou a obra com o título Tierras de heroísmo, divulgando um capítulo como amostra: “El encuentro de Julia con Pasionaria” (Nosotras, n. 18, out. 1946) – apresentado como parte das “impressões coletadas em sua viagem à Europa”. Porém, o livro acabou sendo publicado como Crónicas de un mundo de heroísmo (Montevidéu: Ediciones Pueblos Unidos, 1946).

Outra crônica de viagem de Arévalo é La mujer en la R.D.A. construye el socialismo (Montevidéu: Editorial Letras, 1968), no qual ela comenta a experiência que viveu na República Democrática Alemã.

Para além da obra efetivamente escrita de Julia Arévalo, merecem destaque suas intervenções orais no Parlamento12. As exposições de motivos de seus projetos de lei são por si sós textos argumentativos, como é o caso de “Seguro de Maternidad y el de los derechos jubilatorios de la mujer trabajadora a los 25 años de servicio y a los 20 en industrias insalubres”13, em que defende a proteção das trabalhadoras como “dever social fundamental”, acusando a perda de renda durante a gravidez como “consequência da imperfeição do regime econômico vigente”. Merecem também destaque sua fundamentação do projeto “Igual salario por igual trabajo” (1947); suas intervenções sobre moradia popular, especulação imobiliária e acerca dos abusos cometidos por empresas têxteis estrangeiras (1948); sua denúncia dos tratados comerciais (1949); e o discurso que proferiu no Dia Mundial de Ajuda à Infância (1950).

Entre os demais artigos de Julia Arévalo em Nosotras, destacam-se: de 1946, “Comitês femininos em prol das candidaturas comunistas” (n. 14), e “Garantir a vitória: votemos nos números 63, 163, 263 e, por si só, na reforma colegialista” (n. 19)14; de 1947, “¡Mujeres, este es nuestro 1º de mayo!” (n. 22.); de 1949, “El Congreso del Partido” (n. 41), sobre a organização das mulheres em comitês patrióticos rumo ao XV Congresso. Após o encerramento da revista, ela continuou escrevendo por mais de vinte anos no jornal El Popular e na revista teórica Estudios, ambos de Montevidéu.

Logo após sua morte, em 1985 a revista Estudios (órgão teórico do Partido Comunista) republicou um de seus primeiros escritos, o artigo “En la brecha”15. Alguns de seus textos podem ser lidos na rede, em portais como: PCU (https://pcu.org.uy); e Anaforas (https://anaforas.fic.edu.uy).

4 – Bibliografia de referência

CANOURA SANDE, C. Julia Arévalo: de bronce y miel. Em: AGUIRRE et al. (org.). Mujeres uruguayas (II). Montevideo: Ediciones Santillana/Lumen, 2001.

FUENTES ÁLVAREZ, G. “Julia Arévalo: La Pasionaria uruguaya”. Em: Protagonistas y olvidadas. Montevidéu: Orbe Libros, 2008.

GRAVINA, Alfredo. A los 10 años, proletaria: semblanza de Julia Arévalo. Montevidéu: Editorial Problemas, 1987.

PARTIDO COMUNISTA DEL URUGUAY. Nosotras: las mujeres comunistas al servicio de la patria. Montevideo: PCU, 1945-1953. Colección consultada (digitalizada): n. 1-3, 10-41, 62, 64-72, 75.

SAPRIZA, Graciela. “Julia Arévalo”. Em: Memorias de rebeldía: siete historias de vida. Montevidéu: Puntosur, 1988.

SILVA, M. “Julia Arévalo (1898-1985)”. Em: Partidos y movimientos políticos en Uruguay – historia y presente: izquierdas. Montevidéu: Crítica, 2021.

URUGUAY. Parlamento. Biblioteca do Poder Legislativo. Diario de Sesiones de la Cámara de Senadores (1947-1950). Montevidéu, [s. d.].

URUGUAY. Parlamento. Biblioteca del Poder Legislativo. Julia Deanora Arévalo Suarez. [S.l.], [s.d.].

YAFFE, C. Julia Arévalo marcha con nosotros: “Salud a ti, hecha de miel y bronce…”. Montevidéu: Ediciones PCU, 2016.

Notas

* Malena Montano Roche é cientista social especializada em Desenvolvimento (Universidad de la República de Uruguay), historiadora (Instituto de Profesores Artigas), mestre em Estudos Contemporâneos da América Latina e doutoranda em História Econômica pela Udelar. É assistente de pesquisa e docente na Facultad de Ciencias Sociales da Udelar. Autora de, entre outras obras: Género y negociación colectiva en el Cono Sur (2003-2020): más negociación, ¿más igualdad? (Udelar, 2022).

* Magdalena Bessonart Olmos é cientista social especializada em Desenvolvimento (Universidad de la República de Uruguay), com mestrado em História Econômica também pela Udelar. É pesquisadora e docente do Programa de Investigación en Desarrollo Sostenible (PRIDES-Udelar). Autora de, entre outras obras: Mujer y trabajo: los debates parlamentarios de mitad del siglo XX en Uruguay (Udelar, 2022).

* Com edição de texto de Yuri Martins-Fontes e Ândrea Francine Batista, e ilustração de Steven Busignani, este artigo foi originalmente publicado no portal do Núcleo Práxis-USP, sendo um dos verbetes do Dicionário marxismo na América. Permite-se sua reprodução, sem fins comerciais, desde que citada a fonte e que seu conteúdo não seja alterado. Sugestões são bem-vindas: editoria@nucleopraxisusp.org.

1 Sapriza (1988).

2 Sapriza (1988).

3 Uruguay. Diario de Sesiones de la Cámara de Senadores (1947-1950), [s.d.].

4 Yaffe (2016).

5 Canoura Sande (2001); Fuentes Álvarez (2008).

6 Yaffe (2016).

7 Gravina (1987).

8 Silva (2021).

9 Silva (2021).

10 “La mujer en la ayuda” reunia reportagens sobre a solidariedade organizada pela Acción Femenina por la Victoria e pela Junta de Unidad Nacional Española en el Uruguay (JUNEU), com campanhas de arrecadação de roupas e fundos para a Espanha e a Itália.

11 Ela exige ainda a rejeição dos acordos da Conferência do Rio e de qualquer compromisso bélico; o texto mostra que seu anti-imperialismo não a impedia de apoiar medidas do governo batllista quando as considerava favoráveis ao povo.

12 Tais discursos estão registrados nas versões taquigráficas da XXXV Legislatura do Parlamento uruguaio.

13 Uruguay. Cámara de Senadores. Montevidéu, 25 fev. e 10 mar. 1947

14 Também dessa série: “A proclamação de Gómez ao Conselho de Estado” (n. 16, ago. 1946); “Gómez ao Conselho de Estado” (n. 18, out. 1946); “Para completar a vitória” (n. 20, nov. 1946).

15 ARÉVALO, Julia. “En la brecha”. Reproduzido em: Estudios: políticos, económicos, filosóficos, culturales del Uruguay, Montevidéu, n. 94, p. 18, set. 1985.