O DIA EM QUE CAIO PRADO APORTOU EM BUENOS AIRES: RESENHA DO LIVRO HISTORIA Y FILOSOFÍA

Antologia com textos inéditos de Caio Prado Júnior publicada na Argentina, organizada e traduzida ao espanhol por pesquisadores-militantes do Núcleo Práxis da Universidade de São Paulo, amplia o acesso do público às várias faces da trajetória do historiador e filósofo marxista, que desenvolveu conceitos centrais para se compreender a formação social, econômica e política do Brasil e da América Latina.

APUNTES SOBRE LAS GUERRAS Y EL PACIFISMO SUPERFICIAL

Breve decálogo sobre as guerras, em uma época de escalada bélica e pacifismo superficial, se não demagógico; uma reflexão sobre a categoria marxista de totalidade, que é muito mais do que a soma de suas partes (pois tem movimento, relação); e algumas sugestões de palavras de ordem menos etéreas.

TAIGUARA, HOMENAGEM AOS 75 ANOS DE SEU NASCIMENTO: “EU GRITO SIM… MEU GRITO VAI SANAR MINHAS FERIDAS”

Em 1985, em comício das Diretas Já, Beth Carvalho chama Taiguara Chalar da Silva ao palco. Curvado sobre o microfone, braços projetados para frente, fala de uma vez só, em alto tom: “Depois de proibido pela ditadura durante dez anos, que eu digo pra vocês: – Eu resisto”. Um uruguaio brasileiro, um negro indígena que visitou e se encantou pela África Revolucionária, e que à volta acolheu o comunismo, em 2020, prestes a completar 75 anos, Taiguara não têm ainda sua obra sedimentada na mentalidade musical brasileira.

ACERCA DE MARCELO FREIXO: DO PSOL AO PSB

Partindo da máxima de Marx de que “o moralismo é a impotência posta em ação”, reflete-se neste texto sobre as circunstâncias que levaram o deputado federal Marcelo Freixo a deixar o PSOL, transferindo-se ao PSB.

NO SETE DE SETEMBRO (2021), UMA VITÓRIA DE BOLSONARO

O texto comenta que, em meados de 2021, enquanto as forças de direita dão demonstrações de força política e coesão (lideradas por Bolsonaro), as forças democráticas têm se mostrado frágeis e sem liderança. Defende-se então que, contra a ameaça fascista, é preciso se organizar uma Frente Ampla em defesa da democracia.

PRECISAMOS FALAR SOBRE PAGU

Reflexão sobre a questão de gêneros no Brasil e a necessidade de leis que assegurem os direitos das mulheres, diante de um cenário histórico de falta de equidade social. Neste sentido, destaca-se algumas das ideias da militante comunista Pagu – “A mulher do povo”.

A TRIBO, O ESTADO E A GUERRILHA NO AFEGANISTÃO

Este artigo desenvolve argumentos acerca da relação entre a queda do governo afegão aliado aos EUA, o sistema tribal afegão, a guerrilha talibã e a fragilidade do programa nacional aplicado à periferia global. A tentativa de projetar no Estado afegão a imagem dos Estados nacionais ocidentais, com uma instituição centralizada de poder, não correspondeu com a base autônoma de governança local, as quais possuem recursos financeiros e militares próprios. A distribuição de uma população majoritariamente rural em distintos territórios geográficos se desenvolveu sob a fragmentação política, a partir de um sistema tribal, onde algumas autoridades políticas despontam no cenário político nacional – uma forma de organização política adaptada à topografia e flexível no que se refere às mudanças no ambiente cultural. A resistência Talibã se configurou como uma forma de poder alternativo ao governo afegão e se deu graças a uma organização centralizada e hierarquizada, a um poder militarizado, ao apoio internacional extraoficial, às fontes de financiamento e à implantação de formas governamentais em territórios sob domínio da guerrilha.

MUDANÇA DE CENÁRIO: DA UNIPOLARIDADE À MULTIPOLARIDADE GEOPOLÍTICA

O relatório Inserção Internacional Brasileira: temas de política externa (2010) do IPEA mostra vários fatores que têm impulsionado uma mudança na relação de forças geopolíticas, tais como o aumento do poderio econômico e militar de grandes nações semiperiféricas, a iniciativa de afirmação da União Europeia por meio de políticas de planejamento estratégico mais independentes e a intensa difusão de tecnologia bélica, além da fragilização da própria economia dos EUA. O estudo aponta também que alguns eventos geopolíticos ocorridos em 2008 foram os desencadeadores desse processo de transformação que levou o mundo da recente unipolaridade à nova multipolaridade, tais como: a crise financeira internacional, o fracasso da Rodada de Doha da OMC e o conflito russo-georgiano pela Ossétia do Sul (em que a Rússia demonstraria ao mundo que ainda tem muito poder bélico).

O DISCURSO POLÍTICO DA EXTREMA-DIREITA BRASILEIRA NA ATUALIDADE

Este estudo investiga a organização interdiscursiva, argumentativa e metafórica do discurso político da extrema-direita brasileira na atualidade. Para tanto, analisa-se o voto do então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara dos Deputados, no dia 17/04/2016, e três enunciados publicados em seu perfil de rede social. Nesse intuito, na primeira seção, define-se o que entendemos por discurso político da extrema-direita brasileira; na segunda, caracteriza-se tal discurso na interface entre interação discordante e discurso intolerante; na terceira, discorre-se sobre a categoria de metáforas emergentes distribuídas; por fim, na quarta, analisaremos o corpus selecionado.

NATUREZA E ARTIFICIALIDADE NO PROJETO SOCIALISTA DE NAÇÃO DE JOSÉ CARLOS MARIÁTEGUI

A obra do marxista peruano José Carlos Mariátegui persegue um objetivo central: criar as condições práticas, políticas, teóricas e sociais para uma sociedade peruana socialista livre da opressão e da exploração. Esse artigo analisa como Mariátegui recorre ao binômio naturalidade-artificialidade para revelar, por um lado, a função parasitária da classe dominante e, por outro, os pontos que unem os hábitos coletivistas pré-capitalistas das comunidades indígenas e a teoria socialista moderna. Para isso, o marxista andino opera uma releitura crítica da história peruana, opondo a conquista espanhola e o período colonial ao Império Inca, como figuras respectivamente da artificialidade e da naturalidade. Esta chave heurística abre possibilidades críticas para um estudo tanto da inserção do Peru no capitalismo quanto da natureza predatória do modelo social e econômico do período republicano. Finalmente, discute-se a interpretação historicista e dialética da modernidade desenvolvida por Mariátegui, apresentando sua ideia de um “Peru integral” como nação socialista não essencialista, na qual elementos pré-modernos e modernos se juntam em prol de um projeto revolucionário. A natureza e o artifício aparecem em Mariátegui como duas figuras centrais na formação social peruana e, portanto, como uma das faces da luta de classes.

AS INTERNACIONAIS E A QUESTÃO AGRÁRIA

A organização internacional da classe trabalhadora passou por diversos momentos históricos, e em cada um deles teve desafios e impasses que em grande medida não foram resolvidos, estendendo-se ao longo dos anos e se manifestando em diferentes expressões. Entre eles pode-se citar: a estratégia da luta pela emancipação humana, a questão agrária, e a questão do sujeito revolucionário. Em toda a trajetória da organização internacional dos trabalhadores, os camponeses e a questão da propriedade da terra foram temas de intenso debate. Mais recentemente a organização de um movimento camponês internacional – a Via Campesina –, emergente num contexto de lutas antiglobalização neoliberal, carrega novos desafios, não somente de sua classe em particular, a camponesa, mas parte dos desafios da classe trabalhadora como um todo. Entre estes, a consolidação de uma aliança proletário-camponesa em dimensão internacional que seja capaz de incidir na transformação social em plena crise estrutural do capitalismo.

Veias Abertas nº2 | 2022 – Apresentação

A revista Veias Abertas é uma publicação teórica crítica fundamentada no pensamento materialista histórico. É editada pelo Núcleo Práxis de Pesquisa, Educação Popular e Política da Universidade de São Paulo, organização tanto política como acadêmica criada no âmbito da FFLCH em meados dos anos 2010 – e que reúne intelectuais-militantes socialistas de várias áreas e atuações, como historiadores, filósofos, sociólogos, escritores, críticos literários, professores, ensaístas e jornalistas.

Veias Abertas nº2 | 2022

Apresentação As internacionais e a questão agrária, por Ândrea Francine Batista Natureza e artificialidade no projeto socialista de nação de José Carlos Mariátegui, por Jean Ganesh Faria Leblanc O discurso político da extrema-direita brasileira na atualidade, por Argus Romero Abreu de Morais El anarquismo peruano y el nacimiento del “comunismo inca”, por Alfredo Gómez-Muller Ensaios e debates Mudança de cenário: da unipolaridade à multipolaridade geopolítica, por Yuri Martins-Fontes L. O modelo econômico brasileiro e o impacto da Covid-19: Reflexão para gerar ação, por Eduardo Januário A Tribo, o Estado e a Guerrilha no Afeganistão, por Pedro Curado Precisamos falar sobre Pagu, Paulo Alves Júnior No Sete de Setembro (2021), uma vitória de Bolsonaro, por John Kennedy Ferreira e Joana A. Coutinho Acerca de Marcelo Freixo : do PSOL ao PSB, por Wanderson Fábio de Melo Taiguara, homenagem aos 75 anos de seu nascimento: “Eu grito sim… Meu grito vai sanar minhas feridas”, por Gustavo K. Rolim Apuntes sobre las guerras y el pacifismo superficial, por Yuri Martins-Fontes L. Resenhas O dia em que Caio Prado aportou em Buenos Aires: Resenha do livro Historia y Filosofia, por Joanna A. Coutinho Créditos Editores Yuri Martins-Fontes L., Paulo Alves Junior, Joana A. Coutinho Conselho Editorial Ândrea Francine Batista, Eduardo Januário, Felipe Santos Deveza, Joana Aparecida Coutinho, Paulo Alves Junior, Pedro Rocha Fleury Curado, Solange Struwka, Yuri Martins-Fontes L. Diagramação e editoração digital: Yuri Martins-Fontes L., Manuela Venâncio, Jean-Ganesh Faria Leblanc Revisão: Oficina Uspiana de Textos Conselho Consultivo Argus Romero Abreu de Morais, Athos Vieira, Carlos Alberto Borba, Givanildo Manuel da Silva, Gláucia Lelis Alves, Gustavo Koszeniewski Rolim, Gustavo Velloso, Itzel Ibargoyen Bidart, ​​Jean-Ganesh Faria Leblanc, John Kennedy Ferreira, Marcos Vinícius Pansardi, Mateus Fiorentini, Maurício Orestes Parisi, Natalia Tahara, Paulo Iannone, Paulo Yasha da Fonseca, Renato Cesar Fernandes, Rita Matos Coitinho, Roberto Pasquale, Rogério Vincent Perito, Thiago Mendes, Wanderson Fabio de Melo, Yodenis Guirola Arte e projeto gráfico: Manuela Venâncio (@contextos_criticos)

O MODELO ECONÔMICO BRASILEIRO E OS IMPACTOS DA COVID-19: REFLEXÃO PARA GERAR AÇÃO

Ainda que o Brasil seja a sétima economia do mundo é um dos países mais desiguais, com salários abaixo do custo real de sobrevivência. O presente artigo analisa os impactos da pandemia de covid-19 para a classe trabalhadora no Brasil, em especial a que se encontra na situação da informalidade ou trabalho intermitente, e que em sua grande maioria, é negra. A quarentena desvelou um modelo neocolonial de sociedade, onde o Estado é acionado a salvar o sistema capitalista e os “gastos” com a população, inclusive com a saúde, são fatalmente regulados para manter o superávite primário. A crise mundial de 2007, que com maior profundidade atingiu o país a partir de 2015, arrastou um grande contingente de pobres para situação ainda mais precarizada de vida. E, mediante o contexto pandêmico, o auxílio emergencial de R$ 200,00 para trabalhadores em meio ao aumento de preço de produtos essenciais para frear o contágio, desvela em essência elementos de um pensamento escravista

EL ANARQUISMO PERUANO Y EL NACIMIENTO DEL “COMUNISMO INCA”

O artigo argumenta que a concepção universalista do marxismo e do anarquismo, tendo por propósito a emancipação humana de modo geral, deve levar em consideração a diversidade cultural para não cair no erro do etnocentrismo. Para tanto, é exposta a ideia do “socialismo inca”, debatida por pensadores como Mariátegui, entre outros.