O DISCURSO POLÍTICO DA EXTREMA-DIREITA BRASILEIRA NA ATUALIDADE

Este estudo investiga a organização interdiscursiva, argumentativa e metafórica do discurso político da extrema-direita brasileira na atualidade. Para tanto, analisa-se o voto do então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) na Câmara dos Deputados, no dia 17/04/2016, e três enunciados publicados em seu perfil de rede social. Nesse intuito, na primeira seção, define-se o que entendemos por discurso político da extrema-direita brasileira; na segunda, caracteriza-se tal discurso na interface entre interação discordante e discurso intolerante; na terceira, discorre-se sobre a categoria de metáforas emergentes distribuídas; por fim, na quarta, analisaremos o corpus selecionado.

NATUREZA E ARTIFICIALIDADE NO PROJETO SOCIALISTA DE NAÇÃO DE JOSÉ CARLOS MARIÁTEGUI

A obra do marxista peruano José Carlos Mariátegui persegue um objetivo central: criar as condições práticas, políticas, teóricas e sociais para uma sociedade peruana socialista livre da opressão e da exploração. Esse artigo analisa como Mariátegui recorre ao binômio naturalidade-artificialidade para revelar, por um lado, a função parasitária da classe dominante e, por outro, os pontos que unem os hábitos coletivistas pré-capitalistas das comunidades indígenas e a teoria socialista moderna. Para isso, o marxista andino opera uma releitura crítica da história peruana, opondo a conquista espanhola e o período colonial ao Império Inca, como figuras respectivamente da artificialidade e da naturalidade. Esta chave heurística abre possibilidades críticas para um estudo tanto da inserção do Peru no capitalismo quanto da natureza predatória do modelo social e econômico do período republicano. Finalmente, discute-se a interpretação historicista e dialética da modernidade desenvolvida por Mariátegui, apresentando sua ideia de um “Peru integral” como nação socialista não essencialista, na qual elementos pré-modernos e modernos se juntam em prol de um projeto revolucionário. A natureza e o artifício aparecem em Mariátegui como duas figuras centrais na formação social peruana e, portanto, como uma das faces da luta de classes.

AS INTERNACIONAIS E A QUESTÃO AGRÁRIA

A organização internacional da classe trabalhadora passou por diversos momentos históricos, e em cada um deles teve desafios e impasses que em grande medida não foram resolvidos, estendendo-se ao longo dos anos e se manifestando em diferentes expressões. Entre eles pode-se citar: a estratégia da luta pela emancipação humana, a questão agrária, e a questão do sujeito revolucionário. Em toda a trajetória da organização internacional dos trabalhadores, os camponeses e a questão da propriedade da terra foram temas de intenso debate. Mais recentemente a organização de um movimento camponês internacional – a Via Campesina –, emergente num contexto de lutas antiglobalização neoliberal, carrega novos desafios, não somente de sua classe em particular, a camponesa, mas parte dos desafios da classe trabalhadora como um todo. Entre estes, a consolidação de uma aliança proletário-camponesa em dimensão internacional que seja capaz de incidir na transformação social em plena crise estrutural do capitalismo.

Veias Abertas nº2 | 2022 – Apresentação

A revista Veias Abertas é uma publicação teórica crítica fundamentada no pensamento materialista histórico. É editada pelo Núcleo Práxis de Pesquisa, Educação Popular e Política da Universidade de São Paulo, organização tanto política como acadêmica criada no âmbito da FFLCH em meados dos anos 2010 – e que reúne intelectuais-militantes socialistas de várias áreas e atuações, como historiadores, filósofos, sociólogos, escritores, críticos literários, professores, ensaístas e jornalistas.

Veias Abertas nº2 | 2022

Apresentação As internacionais e a questão agrária, por Ândrea Francine Batista Natureza e artificialidade no projeto socialista de nação de José Carlos Mariátegui, por Jean Ganesh Faria Leblanc O discurso político da extrema-direita brasileira na atualidade, por Argus Romero Abreu de Morais El anarquismo peruano y el nacimiento del “comunismo inca”, por Alfredo Gómez-Muller Ensaios e debates Créditos Editores Yuri Martins-Fontes L., Paulo Alves Junior, Joana A. Coutinho Conselho Editorial Ândrea Francine Batista, Eduardo Januário, Felipe Santos Deveza, Joana Aparecida Coutinho, Paulo Alves Junior, Pedro Rocha Fleury Curado, Solange Struwka, Yuri Martins-Fontes L. Diagramação e editoração digital: Yuri Martins-Fontes L., Manuela Venâncio, Jean-Ganesh Faria Leblanc Revisão: Oficina Uspiana de Textos Conselho Consultivo Argus Romero Abreu de Morais, Athos Vieira, Carlos Alberto Borba, Givanildo Manuel da Silva, Gláucia Lelis Alves, Gustavo Koszeniewski Rolim, Gustavo Velloso, Itzel Ibargoyen Bidart, ​​Jean-Ganesh Faria Leblanc, John Kennedy Ferreira, Marcos Vinícius Pansardi, Mateus Fiorentini, Maurício Orestes Parisi, Natalia Tahara, Paulo Iannone, Paulo Yasha da Fonseca, Renato Cesar Fernandes, Rita Matos Coitinho, Roberto Pasquale, Rogério Vincent Perito, Thiago Mendes, Wanderson Fabio de Melo, Yodenis Guirola Arte e projeto gráfico: Manuela Venâncio (@contextos_criticos)

EL ANARQUISMO PERUANO Y EL NACIMIENTO DEL “COMUNISMO INCA”

O artigo argumenta que a concepção universalista do marxismo e do anarquismo, tendo por propósito a emancipação humana de modo geral, deve levar em consideração a diversidade cultural para não cair no erro do etnocentrismo. Para tanto, é exposta a ideia do “socialismo inca”, debatida por pensadores como Mariátegui, entre outros.