NEOFASCISMO, FORMA POLÍTICA DO CAPITALISMO EM CRISE: ANTINACIONALISTA, NEOLIBERAL, RACISTA

O fascismo é uma forma política do regime capitalista, posta em prática quando as classes dominantes veem ameaçado seu controle sobre o processo político-eleitoral; é assim abandonado o discurso liberalista-formal, com que em tempos de “estabilidade” do capitalismo, adornam de “democrático” seu sistema autoritário. Com o aprofundamento da crise estrutural capitalista – fenômeno que se explicita há décadas, resultando em frequentes crises econômicas, sociais, ambientais –, uma retirada brusca de direitos sociais torna-se crucial para a manutenção dos lucros do capital. Na América Latina, este processo, direta ou indiretamente impulsionado pelos EUA e UE, interrompe cerca de dez anos de governos reformistas. Por outro lado, é importante atentar a uma peculiaridade: ao contrário do que ocorreu no “fascismo clássico”, e em algum grau dá-se ainda no centro do sistema, em periferias do capitalismo nas quais não se desenvolveu uma burguesia nacional, caso das nações latino-americanas, os fascistas (como as classes altas de modo geral) não se identificam com a nação onde habitam, não sendo “nacionalistas” nem mesmo em um restrito sentido elitista. Ademais, o racismo, historicamente relacionado ao fascismo, em nossa América mestiça ganha enorme centralidade.

CRISE CAPITALISTA, BAIXO NÍVEL CULTURAL E A IGNORÂNCIA COMO IDEOLOGIA: OS CASOS DE ESTADOS UNIDOS E BRASIL

Este ensaio tem como objetivo discutir sobre a desinformação midiática e a deficiência educacional enquanto instrumentos políticos promotores da ideologia dominante e da manutenção do poder, para então melhor compreender uma consequência central dessa “ignorância” planejada: a conjuntura de nova ascensão da extrema-direita no mundo. Como bases para tal análise – sustentada em pesquisas recentes e focada nos casos estadunidense e brasileiro – investiga-se: i) o baixo nível educacional como projeto das classes dominantes, situação que vem se deteriorando; ii) a extrema concentração da imprensa, manipulada globalmente por corporações que produzem a quase totalidade das informações difundidas no planeta, reduzindo a liberdade de opinião em nome de uma suposta “liberdade de imprensa”; iii) e por conseguinte, mediante o conceito de “periferização do mundo”, o processo pelo qual o agravamento da crise estrutural capitalista desde 2008, com consequente aumento da desigualdade e fome, tem levado a uma crescente insatisfação e tensão social – evidenciando com isto certo esgotamento de projetos políticos centristas (como se vê nos casos de EUA e Brasil, aqui investigados).