GRAMSCI: TEORIA DO IMPERIALISMO OU TEORIA DA HEGEMONIA GLOBAL?

Neste texto, propõe-se fazer um estudo sobre a análise das relações internacionais desenvolvida por Gramsci nos Cadernos do Cárcere. Partindo-se do princípio de que o autor raramente utilizou o conceito de imperialismo em seus escritos, a questão central que se coloca é a existência de uma possível incompatibilidade do uso dos conceitos de hegemonia e imperialismo nesta obra. Conclui-se, a partir destas leituras e da análise adicional dos trabalhos de Gramsci e dos autores neogramscianos, que estes conceitos são complementares e não antagônicos.

A DINÂMICA DA HISTÓRIA EM AMÍLCAR CABRAL

Este trabalho busca analisar a concepção do líder guineense e cabo-verdiano Amílcar Lopes Cabral (1924-1973) sobre a dinâmica da história. Nascido na Guiné-Bissau e morando a maior parte de sua juventude em Cabo Verde, fica conhecido a partir dos anos 1960 como o fundador, líder e principal teórico do Partido Africano da Independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde, o PAIGC. Assassinado em 1973, suas obras compõem um corpus essencial para o pensamento africano do século XX. Agrônomo, tratou sempre do tema do solo, da terra e, em especial, da erosão. Entretanto, seu contato com a história, podemos dizer de forma generalizada, se dá em dois âmbitos (independentes, mas interdependentes): o do anticolonialismo, pensando historicamente a construção das nações de Guiné-Bissau e Cabo Verde, ao mesmo tempo em que é obrigado a pensar a historicidade da ocupação portuguesa; e o do marxismo, que tem, pela história, campo primordial de reflexão e ação desde seus fundadores, Karl Marx e Friedrich Engels. A obra de Amílcar Cabral e a teoria criada pelo mesmo terão, portanto, importantes bagagens e uma interessante proposta de resolução da dinâmica histórica que temos de abordar com particular interesse.

ANTI-LUBBOCK: AS “NEGAÇÕES” DO VELHO MOURO CONTRA O BARÃO DE AVEBURY

O artigo procura contribuir para o conhecimento e a difusão do conteúdo e das ideias contidas nos assim chamados “Cadernos Etnológicos” de Karl Marx, que apenas nos últimos anos se tornaram objeto de atenção por parte de alguns antropólogos e historiadores brasileiros. O leitor encontrará nas páginas que seguem tanto uma apresentação panorâmica quanto uma interpretação circunstanciada das anotações marxianas sobre a obra-prima de um dos mais notáveis e conhecidos homens eruditos de sua época: o banqueiro e cientista britânico John Lubbock. Expressivas de um momento em que a disciplina antropológica dava os primeiros passos rumo à consolidação de sua autonomia frente aos estudos históricos e às ciências naturais, as notas de Marx sobre Lubbock (produzidas em 1882) apontam para os limites da razão evolucionista então vigente e sugerem, direta ou indiretamente, uma consciência concreta e transformadora sobre a historicidade das formações sociais não capitalistas.

URUGUAY EN EL REINO DE LA COMPETENCIA

Una mirada crítica a la reforma educativa emprendida en Uruguay, en el contexto de una orientación global dirigida a implantar el Enfoque por Competencias. Se examinan los precedentes, desde el siglo pasado, en el largo proceso de construcción de un consenso, que abarca todo el espectro partidario, sobre la necesidad de la reforma y sus características. Asimismo se presentan valoraciones de autores diversos sobre las coordenadas pedagógicas e ideológicas prevalentes en esta política educativa.

O POLÍTICO E O SOCIAL COMO FORMA: UMA APROXIMAÇÃO A PARTIR DE MARTÍ, RODÓ E MARIÁTEGUI

Neste trabalho, investigamos em que contexto se tornou inteligível a ideia da existência de um pensamento político e social latino-americano. Para tanto, propomos um estudo da produção textual de três nomes, via de regra, considerados os precussores da reflexão acerca da identidade dos povos da América Latina, a saber: o cubano José Martí, o uruguaio José Enrique Rodó e o peruano José Carlos Mariátegui. Nesse sentido, apresentamos uma hipótese de leitura. Tal hipótese parte de uma formulação geral, a de que a singularidade do pensamento político e social, em terras sul-americanas, no fim do século XIX e início do XX, estaria calcada na estetização da palavra como modalidade de reflexão.