NEOFASCISMO, FORMA POLÍTICA DO CAPITALISMO EM CRISE: ANTINACIONALISTA, NEOLIBERAL, RACISTA

O fascismo é uma forma política do regime capitalista, posta em prática quando as classes dominantes veem ameaçado seu controle sobre o processo político-eleitoral; é assim abandonado o discurso liberalista-formal, com que em tempos de “estabilidade” do capitalismo, adornam de “democrático” seu sistema autoritário. Com o aprofundamento da crise estrutural capitalista – fenômeno que se explicita há décadas, resultando em frequentes crises econômicas, sociais, ambientais –, uma retirada brusca de direitos sociais torna-se crucial para a manutenção dos lucros do capital. Na América Latina, este processo, direta ou indiretamente impulsionado pelos EUA e UE, interrompe cerca de dez anos de governos reformistas. Por outro lado, é importante atentar a uma peculiaridade: ao contrário do que ocorreu no “fascismo clássico”, e em algum grau dá-se ainda no centro do sistema, em periferias do capitalismo nas quais não se desenvolveu uma burguesia nacional, caso das nações latino-americanas, os fascistas (como as classes altas de modo geral) não se identificam com a nação onde habitam, não sendo “nacionalistas” nem mesmo em um restrito sentido elitista. Ademais, o racismo, historicamente relacionado ao fascismo, em nossa América mestiça ganha enorme centralidade.

JOSÉ CANTÓN NAVARRO, SEMBRADOR Y SIMIENTE: HOMENAJE Y HONRA EN SU CENTENARIO

El texto es un homenaje póstumo a José Caridad Cantón Navarro, destacando su trayectoria como intelectual comunista cubano. Aborda sus humildes orígenes en una familia campesina, su temprana incorporación al movimiento comunista a los trece años y su formación como maestro en 1944. Ressalta su actuación como educador, historiador e internacionalista, su participación en la lucha contra la dictadura de Batista y su apoyo a la Revolución Cubana, además de su trabajo en la fundación de instituciones revolucionarias como las Escuelas del Partido y el Instituto de Historia del Movimiento Comunista. El homenaje enfatiza sus valores éticos, su defensa de la unidad de las fuerzas revolucionarias, su compromiso con el legado de José Martí y su sólida formación marxista-leninista, concluyendo que su mayor virtud fue haber sido un comunista ejemplar.

MARIÁTEGUI ET LE FÉMINISME

Parmi les grands mouvements de rénovation historiographique, l’histoire des femmes occupe une place tout à fait singulière par la transversalité que son objet suppose. Cet aspect est largement absent des études consacrées à José Carlos Mariátegui (1894-1930), or il est indispensable de se pencher sur la question du féminisme et du rôle des femmes dans ses écrits si l’on prétend comprendre son œuvre théorique et militante. Cet article revient sur les textes dans lesquels Mariátegui parle du féminisme ou de causes féministes et montre comment l’auteur évolue d’une position traditionaliste conservatrice vers une alliance entre féminisme et révolution.

ECOLOGIA DE VIOLÊNCIAS NAS PERIFERIAS URBANAS EM TEMPOS DE EMERGÊNCIAS DE SAÚDE MULTIESPÉCIE

A violência é um problema de saúde e um determinante das emergências de saúde, com dimensões estruturais que vão além das agressões físicas interpessoais. Neste texto, esboçamos a noção de ecologia de violências e a relacionamos com vivências da pandemia de Covid-19 numa favela paulistana, a partir de uma perspectiva de saúde multiespécie. Mostramos como marginalização, precariedade imposta, exploração, perseguição, expulsões territoriais, práticas de encarceramento e agressões no ambiente domiciliar violentam seres periféricos, humanos e outros-que-humanos, encontrando nas emergências de saúde a possibilidade de se elevarem à condição de sindemia de violências. Isso aconteceu na pandemia de Covid-19, em epidemias anteriores e provavelmente acontecerá nas próximas emergências de saúde. Por meio da ecologia de violências, damos mais visibilidade à imbricação que frustra tentativas de prevenção e proteção frente a emergências de saúde – imbricação entre dispositivos marginalizantes, modalidades de violência e emergências de saúde, materializada em coletivos multiespécies.

CAMINHOS DA REVOLUÇÃO: RODNEY ARISMENDI E AS EXPERIÊNCIAS LATINO-AMERICANAS

Este artigo é parte do processo de pesquisa desenvolvido junto ao mestrado do Programa de Pós-graduação em Integração da América Latina da Universidade de São Paulo (PROLAM/USP). Consiste em analisar as interpretações e elaborações de Rodney Arismendi acerca do que chamava de caminho uruguaio ao socialismo. O referido autor fora Secretário-Geral do Partido Comunista do Uruguai (PCU) e editor da Revista Estudios, periódico teórico da agremiação, entre 1955 e 1989. O trabalho traz ainda reflexões acerca das experiências cubana e chilena a partir do triunfo de Fidel e Allende, respectivamente. Faz-se estas duas referências graças ao peso que ambas tiveram nas leituras de Rodney Arismendi, assim como na esquerda latino-americana. Por fim, trataremos do caso uruguaio e a experiência da Frente Ampla inserida no contexto da tática defendida por Arismendi.

GRAMSCI: TEORIA DO IMPERIALISMO OU TEORIA DA HEGEMONIA GLOBAL?

Neste texto, propõe-se fazer um estudo sobre a análise das relações internacionais desenvolvida por Gramsci nos Cadernos do Cárcere. Partindo-se do princípio de que o autor raramente utilizou o conceito de imperialismo em seus escritos, a questão central que se coloca é a existência de uma possível incompatibilidade do uso dos conceitos de hegemonia e imperialismo nesta obra. Conclui-se, a partir destas leituras e da análise adicional dos trabalhos de Gramsci e dos autores neogramscianos, que estes conceitos são complementares e não antagônicos.

A DINÂMICA DA HISTÓRIA EM AMÍLCAR CABRAL

Este trabalho busca analisar a concepção do líder guineense e cabo-verdiano Amílcar Lopes Cabral (1924-1973) sobre a dinâmica da história. Nascido na Guiné-Bissau e morando a maior parte de sua juventude em Cabo Verde, fica conhecido a partir dos anos 1960 como o fundador, líder e principal teórico do Partido Africano da Independência de Guiné-Bissau e Cabo Verde, o PAIGC. Assassinado em 1973, suas obras compõem um corpus essencial para o pensamento africano do século XX. Agrônomo, tratou sempre do tema do solo, da terra e, em especial, da erosão. Entretanto, seu contato com a história, podemos dizer de forma generalizada, se dá em dois âmbitos (independentes, mas interdependentes): o do anticolonialismo, pensando historicamente a construção das nações de Guiné-Bissau e Cabo Verde, ao mesmo tempo em que é obrigado a pensar a historicidade da ocupação portuguesa; e o do marxismo, que tem, pela história, campo primordial de reflexão e ação desde seus fundadores, Karl Marx e Friedrich Engels. A obra de Amílcar Cabral e a teoria criada pelo mesmo terão, portanto, importantes bagagens e uma interessante proposta de resolução da dinâmica histórica que temos de abordar com particular interesse.

ANTI-LUBBOCK: AS “NEGAÇÕES” DO VELHO MOURO CONTRA O BARÃO DE AVEBURY

O artigo procura contribuir para o conhecimento e a difusão do conteúdo e das ideias contidas nos assim chamados “Cadernos Etnológicos” de Karl Marx, que apenas nos últimos anos se tornaram objeto de atenção por parte de alguns antropólogos e historiadores brasileiros. O leitor encontrará nas páginas que seguem tanto uma apresentação panorâmica quanto uma interpretação circunstanciada das anotações marxianas sobre a obra-prima de um dos mais notáveis e conhecidos homens eruditos de sua época: o banqueiro e cientista britânico John Lubbock. Expressivas de um momento em que a disciplina antropológica dava os primeiros passos rumo à consolidação de sua autonomia frente aos estudos históricos e às ciências naturais, as notas de Marx sobre Lubbock (produzidas em 1882) apontam para os limites da razão evolucionista então vigente e sugerem, direta ou indiretamente, uma consciência concreta e transformadora sobre a historicidade das formações sociais não capitalistas.

URUGUAY EN EL REINO DE LA COMPETENCIA

Una mirada crítica a la reforma educativa emprendida en Uruguay, en el contexto de una orientación global dirigida a implantar el Enfoque por Competencias. Se examinan los precedentes, desde el siglo pasado, en el largo proceso de construcción de un consenso, que abarca todo el espectro partidario, sobre la necesidad de la reforma y sus características. Asimismo se presentan valoraciones de autores diversos sobre las coordenadas pedagógicas e ideológicas prevalentes en esta política educativa.

O POLÍTICO E O SOCIAL COMO FORMA: UMA APROXIMAÇÃO A PARTIR DE MARTÍ, RODÓ E MARIÁTEGUI

Neste trabalho, investigamos em que contexto se tornou inteligível a ideia da existência de um pensamento político e social latino-americano. Para tanto, propomos um estudo da produção textual de três nomes, via de regra, considerados os precussores da reflexão acerca da identidade dos povos da América Latina, a saber: o cubano José Martí, o uruguaio José Enrique Rodó e o peruano José Carlos Mariátegui. Nesse sentido, apresentamos uma hipótese de leitura. Tal hipótese parte de uma formulação geral, a de que a singularidade do pensamento político e social, em terras sul-americanas, no fim do século XIX e início do XX, estaria calcada na estetização da palavra como modalidade de reflexão.